Artigo: A truncagem vem aíJosé Carlos Freitas*
São Paulo, 24 de junho de 2009 – Há tempos ouvimos sobre a necessidade de eliminarmos os papéis e de passarmos a utilizar mais eficazmente os meios eletrônicos, substituindo, assim, as correspondências, documentos, recibos e até mesmo documentação legal. Na realidade, muito já tem sido feito nessa direção, a partir do desenvolvimento de tecnologias. Porém, por outro lado, quando vamos a uma agência bancária, ainda encontramos grandes filas. Boa parte das pessoas ali, além de efetivar transações bancárias, busca uma autenticação física de documento. Temos que admitir que isso acontece porque grande parte da população ainda não tem acesso aos meios eletrônicos de pagamento como home banking e internet banking. As pessoas são obrigadas a buscar um posto de atendimento, como um caixa da agência, um equipamento de auto-atendimento ou mesmo o correspondente não-bancário. Os bancos têm feito esforço na redução dos documentos físicos com a aplicação de tecnologia, mas uma grande parte destes documentos é uma exigência legal e resistem bravamente à substituição. Vamos abordar, por exemplo, o que acontece com os cheques no Brasil. Há dez anos, numa economia muito menor, o País processava aproximadamente 4,5 bilhões de cheques/ano. Hoje, processa-se menos de 1,5 bilhões de cheques anualmente, com uma clara tendência de redução deste volume. Como conseguimos isto? Seguindo três caminhos: substituindo o cheque por algum outro mecanismo de pagamento (exemplo: cartão de crédito/débito); convertendo parte do processo de papel para eletrônico (exemplo: conversão da devolução para meio eletrônico); e utilização de meios eletrônicos para melhorar o atual sistema de pagamentos (exemplo: ECP/image e Check 21). Com a estabilidade da economia, o cartão de crédito voltou a ser uma excelente opção de pagamento e, ainda, incrementamos sobremaneira a utilização do débito em conta-corrente para pagamento das “utilities”. Hoje, na cidade de São Paulo, o IPTU pode ter as parcelas debitadas na conta-corrente mês a mês. Também não poderíamos deixar de mencionar a implementação do SPB (Sistema Brasileiro de Pagamentos). Voltemos ao nosso 1,5 bilhões de cheques por ano, volume, vale dizer, pra ninguém “botar defeito”. Executamos informações eletrônicas sobre o conteúdo da compensação de cheques há muitos anos, com um sistema eficiente, eficaz e seguro. Porém, continuamos trocando os papéis, gastando milhões de reais por ano com o transporte destes cheques. Não conseguimos ainda fazer a truncagem - ainda precisamos trocá-los fisicamente entre os bancos para que o processo de compensação se complete. Entretanto, truncar a troca de cheques nem sempre é um conceito bem entendido. Os processos existentes são os seguintes: processamento tradicional - os cheques seguem do banco cobrador ao banco pagador e depois disto os cheques seguem para o cliente do banco pagador; truncagem no banco pagador - os cheques seguem do banco cobrador ao banco pagador e os cheques já pagos não seguem de volta aos clientes; truncagem no banco cobrador - os cheques não são mais enviados ao banco pagador, somente os dados, que podem ou não ser acompanhados das imagens; e conversão - transformação do cheque numa transação eletrônica. O processamento dos cheques no Brasil hoje já propicia a truncagem no banco pagador. Caminha-se para a truncagem no banco cobrador através da adoção da tecnologia da captura, processamento e transmissão de imagens. Em meados de 2009, será iniciada, de forma optativa na praça de São Paulo, a troca de imagens de cheques no processo de compensação de cheques. Mas antes que o sistema mude de truncagem no banco pagador para truncagem no banco cobrador, alguns pontos devem ser analisados à exaustão para que erros na definição de normas e padrões não venham a acarretar prejuízos para clientes e instituições. Alguns destes pontos: aspectos legais; estabelecimento de standards (segurança, qualidade, processo etc); compatibilidade tecnológica no meio financeiro; educação (quanto à utilização e preenchimento); e aceitação das instituições financeiras, pessoas físicas e jurídicas. Grupos de trabalho dos bancos têm investido muitas horas nesse assunto. A truncagem de cheques no Brasil em breve será mais uma novidade no nosso dia-a-dia. Será mais um avanço do nosso sistema financeiro.
*José Carlos Freitas é gerente de Soluções de Pagamentos da Unisys Brasil Sobre a Unisys A Unisys é uma empresa mundial de Tecnologia da Informação. Seu portfólio abrange produtos de TI, serviços, software e tecnologia que solucionam desafios dos clientes, bem como colaboram com a segurança de suas operações, aumentam a eficiência e utilização de seus data centers, melhoram o suporte aos seus funcionários e usuários finais, e modernizam suas aplicações corporativas. Para prover estes serviços e soluções, a Unisys reúne ofertas e competências em outsourcing, integração de sistemas e serviços de consultoria, de infraestrutura, de manutenção, e tecnologia de última geração de servidores. Com mais de 28 mil colaboradores, a Unisys atende organizações privadas e públicas ao redor do mundo. Para mais informações, visite www.unisys.com.br
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